Perimólise2018-07-21T11:46:50+00:00

Perimólise

 

Não raramente, clínicos se encontram perante pacientes com erosão dentária avançada generalizada. Tal desmineralização adamantina resulta em perda de substância por ações químicas e/ou mecânicas sem ação bacteriana.
Holst e Lange em 1939 empregaram o termo “perimylolyses” que evoluiu para perimólise.
Em 1907 Miller suspeitou que o consumo de frutas cítricas combinado com escovação dos dentes com pastas abrasivas poderia levar à perda de substância dentária.
Fleury em 1929 descreveu este tipo de descalcificação e a denominou Mylolyses.
Bargen e Austin em 1937 descreveram um caso de erosão generalizada sobre superfícies palatinas de dentes superiores anteriores com perdas das bordas incisais de uma mulher jovem com sintomas gastrointestinais. A história era de vômitos após as refeições por um período de 6 anos que acompanhava náusea, constipação e inanição de origem psíquica.
Stafne e Lovestedt em 1947 descreveram casos de erosão adamantina atribuída a consumo intenso de suco de limão e bebidas à base de cola ricos em ácido fosfórico e misturas contendo ácido hidroclorídrico.
Sweeney e col em 1977 relataram o caso de uma jovem de 18 anos com erosão avançada na superfície palatina dos dentes superiores anteriores e bordas incisais. Após longo questionamento e com grande resistência a paciente finalmente confessou sob forte emoção que por um período de 5 meses provocou vômitos com finalidade de emagrecimento e que para saciar a fome subsequente ingeria refrigerante de baixo valor calórico.

 

Kleier et al em 1984 descreveram perimólise associada a várias condições médicas como disfunção gástrica, obstipação, hérnia de hiato, úlcera péptica e duodenal, gravidez e regurgitação crônica (KLEIER, D. J. et al. 1984). Na condução de uma pesquisa com avaliação ampla da etiologia inclui:
• 43% de distúrbio gastrointestinal superior e dieta ácida combinados.
• 25% de distúrbio gastrointestinal
• 24% de dieta ácida
• 6% de distúrbio alimentar (vômito habitual)
• 2% de causas desconhecidas.
Com testes de pH mais sofisticados, de 24 horas num laboratório esofágico a proporção de pacientes erosivos com doença de refluxo gastroesofágico chega a ser de 83%.
Em razão dos ácidos se situarem predominantemente no dorso da língua, as superfícies mais acometidas pela destruição ácida são a palatina dos dentes superiores. A superfície oclusal do dentes posteriores e a lingual dos inferiores podem ser envolvidas em casos extremos.