Halitose2018-07-21T11:46:50+00:00

Halitose

De 85% a 90% da incidência de mau hálito tem origem na boca

 

Calcula-se que 30% dos brasileiros apresentem mau hálito crônico. Acostumada com os próprios odores, a maioria nem se dá conta do fenômeno. Por volta de 90% dos casos têm origem na boca. Mas as causas podem ir de problemas dentários a sinusite. Vale a pena consultar um otorrinolaringologista, porque felizmente halitose tem cura.

 

Esteja atento. Se os amigos e até os familiares fazem questão de permanecer distantes de você durante as conversas, pode ser indício de que seu hálito não anda agradando. A maioria das pessoas em geral nem percebe isso. Acostuma-se com os próprios odores e só descobre que tem mau hálito, ou halitose, quando alguém avisa. Mas, como não é nada fácil tomar uma atitude dessas, o mais provável é que você continue sem se dar conta de seu problema.

 

Estudos indicam que 85% a 90% dos casos de mau hálito têm origem na boca. A halitose é mais comum em adultos. Ocorre mais de manhã, em conseqüência do jejum prolongado e do ressecamento da região posterior da língua no período do sono, que favorece a ação das bactérias. Pode ser aguda – ou seja, manifestar-se e desaparecer pouco tempo depois – ou crônica. O tipo agudo pode atingir qualquer pessoa. Deve-se em especial à ingestão de alimentos como alho, brócolis, cebola, repolho, couve-flor, carnes e laticínios. Ao serem triturados e engolidos, tais alimentos liberam partículas odoríferas que grudam na porção posterior da língua. Essa região é povoada por grande quantidade de bactérias que decompõem tais partículas, provocando a liberação de cheiro de enxofre. A halitose é o resultado, portanto, da mistura das partículas dos alimentos com os odores bacterianos.

 

De outro lado, 30% da população brasileira – segundo as pesquisas – apresenta halitose crônica. O fenômeno resulta especialmente de problemas na boca. A causa mais importante é a falta de higiene bucal, ou seja, não se escova os dentes nem se passa fio dental depois das refeições para eliminar restos alimentares que se deterioram e provocam odores desagradáveis. O problema aparece também se a pessoa faz uma higiene bucal malfeita. O mau hálito é conseqüência também de dentes cariados e gengivas inflamadas.

 

Provocam halitose ainda doenças como amidalites (inflamação das amídalas), sinusite (cujas secreções caem na garganta e na base da língua, favorecendo a ação das bactérias) e polipose nasal, que leva ao acúmulo de secreções malcheirosas. Alguns medicamentos de uso contínuo – para arritmia cardíaca ou depressão, por exemplo -, refluxo gástrico durante o sono e respiração pela boca ressecam as mucosas da garganta, levando ao mau hálito. Finalmente, o fenômeno resulta às vezes de febre, desidratação e tabagismo, também por causa do ressecamento das mucosas da boca.

 

Pessoas que têm mau hálito correm o risco de discriminação por colegas. Seu convívio social fica, portanto bastante prejudicado. Freqüentemente são preteridas em empregos. Apresentam dificuldade para encontrar parceiros e estabelecer relações amorosas duradouras. Quando têm consciência do próprio mau hálito, de outro lado, elas mesmas muitas vezes se sentem diminuídas e evitam contatos sociais.
A maioria dos portadores de halitose como dissemos, muitas vezes nem percebe seu problema. Por mais difícil que seja, é fundamental que parentes ou amigos as alertem sobre o fenômeno. Precisam saber, em especial, que é possível diminuir o problema com medidas práticas. Escovar os dentes e utilizar fio dental depois das refeições. Fazer gargarejos com medicamentos. Escovar bem e raspar – existe aparelho próprio – a língua. Consumir pelo menos 8 copos de água por dia para manter a garganta bem hidratada. Evitar jejuns prolongados. Não fumar. Ir freqüentemente ao dentista. Quem tem halitose depois de consumir alimentos específicos, naturalmente deve evita-los.

 

Se mesmo com essas medidas a halitose continuar, vale a pena consultar um otorrinolaringologista. Esse profissional é capaz de diagnosticar as causas do fenômeno e combate-las. Quando o mau hálito resulta de problemas dentários, encaminha o paciente a um dentista. A maioria dos casos, felizmente, tem solução.
Dr. Ariano de Barros Nardomarino