Bulimia Nervosa2018-07-21T11:46:50+00:00

Bulimia Nervosa

É um distúrbio de ordem alimentar onde há uma ingestão compulsiva de alimentos, seguida de vômito auto-induzido.

 

Na constante busca de um padrão de beleza imposto pela sociedade moderna, que atribui sucesso e beleza a um corpo magro, muitas pessoas entram em um círculo vicioso de obsessão. A ansiedade leva à compulsão alimentar, seguida de um método compensatório, os vômitos.
Bulimia é um termo latino derivado do grego para designar “fome bovina”. A voracidade da alimentação excessiva nesse distúrbio não conduz à obesidade em razão dos vômitos freqüentes, do uso dos laxantes, diuréticos, hormônios anorexígenos e ainda pelos períodos de jejum e práticas excessiva de exercícios físicos.

 

Pessoas afetadas por esta desordem podem repetir o ciclo exagero/vômito diariamente ou várias vezes por semana, geralmente durante estresse emocional (média 12 vezes por semana). Alimentos ingeridos durante o ciclo de exagero alimentar geralmente são de alto teor calórico e de fácil ingestão como doces sorvetes, pães doces e bolos (Wolcott et al.),sendo frequentemente engolidos com pouca ou nenhuma mastigação. Dores abdominais são também comuns. Ficar em jejum durante 24 horas pelo menos uma vez por semana é algo praticado por quase um terço dos pacientes bulímicos.

 

A bulimia é um distúrbio com fundamento predominantemente psíquico, que ocorre em mais de 20% das pessoas que sofrem de anorexia nervosa, que apesar de serem duas doenças distintas geralmente ocorrem juntas, isto é são co-mórbidas. A anorexia é mais freqüente na puberdade (12 a 20 anos) numa relação de 20 mulheres para 1 homem (HELLSTROM, I. 1977). As classes sociais mais frequentemente atingidas são a média e a média alta.

 

Os buímicos revelam baixa auto estima, problema de auto- imagem, sofrem do terror da rejeição, têm necessidade de aprovação, são sigilosos, tem complexo de culpa, tem dificuldade de aceitar mudanças, se menosprezam e frequentemente se deprimem. Tudo isso é habilmente mascarado. Tais indivíduos se sentem envergonhados por seus hábitos e procuram mantê-los em sigilo.

 

O clínico deve estar atento quanto às alterações orais que são inegáveis uma vez instaladas. Quando tal atividade continua por um certo período de tempo, o contato com ácidos gástricos (predominantemente o ácido clorídrico) causa a dissolução do esmalte e consequente ‘afinamento’ das bordas incisais que vão se tornando translúcidas com aspécto de extremidade-faca e se quebram facilmente. Esta deterioração associada a movimentos habituais da língua sobre a superfície palatina dos incisivos superiores torna o processo erosivo acelerado e pode aumentar a susceptibilidade a cáries. Superfícies oclusais secundariamente afetadas logo assumem uma aparência plana, facetada ou abaulada para fora.

 

Em geral os indivíduos afetados só buscam ajuda profissional espontânea após 7 anos de complicações com a alimentação incontrolável. Apenas uma pequena parcela das pessoas afetadas é diagnosticada precocemente, pois em geral elas escondem o comportamento pois se envergonham.
O paciente geralmente irá se queixar da sensibilidade aumentada dos dentes ao calor, ao frio e a frutas ácidas. O comprometimento estético é outro forte motivo que acaba levando o individuo procurar o tratamento odontológico.